domingo, 20 de maio de 2012

A poodle rosa







Mariana tem uma cachorrinha poodle que é a sua paixão. Ela era peludinha, branquinha com o nome de Madona e também muito linda, mas com o tempo pegou uma doença de pele muito grave e seu pelo foi caindo, ficando a pobrezinha, careca, sem nenhum pelo no corpo.
 
Madona, antes, alegre e brincalhona ficou deprimida, acanhada pelos cantos. A menina, também entristecida não sabia mais o que fazer para animar a sua cadelinha, até que Tina, a sua prima e melhor amiga teve a ideia de levar Madona no Pet Shop para melhorar a aparência da cadelinha, que andava borocochó desde o dia que tinha perdido os seus belos cachos, que é a características da raça poodle, até os cílios dos olhos ela perdeu.
E assim as meninas começaram a preparar Madona para o passeio, colocaram um vestidinho verde que ela adorava, pelo menos esse, a poodle não tentava arrancar, laços colados nas orelhas e sapatinhos com meias rendadas.
Quando chegaram ao Pet Shop foram falar com o doutor Ruan, o veterinário, esse sugeriu que colocasse uma peruca em Madona para elevar a sua estima. Madona odiou a ideia, rosnou para peruca, deu um avanção na cara do doutor Ruan e ainda brava pulou no colo de Mariana, latindo alto e olhando firme nos olhos do profissional, deixando bem claro o seu descontentamento.
Esse, embora sem graça teve uma outra alternativa para deixar a sua cliente satisfeita.
__ Bem Mariana, só tem um jeito! Vamos colorir a pele da Madona, é uma tinta antialérgica, que não trás nenhum dano para o animal.
A menina, penalizada com a aparência de Madona, encolhida com ar de assustada em seu colo, consente colorir a pele da poodle achando que isso  seria o melhor para a cadelinha e sendo ela uma menininha, sua dona escolheu a tinta de cor rosa e feliz ficou na sala do lado com a prima, a espera da  transformação. E logo assim que o doutor Ruan e sua assistente apareceram com a poodle na porta, Mariana ficou encantada. Madona estava linda com a pele rosa Pink, a cor tinha lhe dado vida, estava deslumbrante. A menina estava muito feliz, era como se tivesse ganhado uma nova cadelinha Pink, foi mesmo uma mudança incrível, no entanto Madona não parecia ter gostado muito, estava muito agitada, corria pela sala lambendo a tinta, chorando baixinho.
Mariana, apesar de ter adorado o novo visual de sua cachorrinha ficou preocupada com o comportamento de sua poodle.
__ Doutor, tem certeza que essa tinta não vai prejudicar a saúde da minha Madona?
__ Sim, meu bem! Esse produto veio da Europa e foi bem aceito no mercado, fica tranquila  ela só está estranhando o produto na pele, é apenas maquiagem, o animal vai terminar se acostumando.
A menina voltou pra casa, extasiada de felicidade exibindo a sua cachorrinha, era a primeira garota a ter uma poodle Pink. Enquanto Madona parecia enlouquecida, se antes estava deprimida, agora tentava arrancar a própria pele, porém a menina não percebia a tristeza de sua companheira levando o cão para todo lugar que ia, enquanto Madona queria mais um buraco para se esconder, por onde ela passava só se ouvia os risinhos, os cochichos dos outros cachorros. Os humanos se dividiam, uns achavam lindo, outros diziam, coitado do animal e era exatamente assim que Madona estava se sentindo, uma coitada. Se a sua dona pudesse entender como a sua poodle estava sofrendo, mandava tirar aquela tinta da pele do seu animalzinho, imediatamente. Não estava doendo na pele, mas doía na alma, a coitada da cachorra estava sendo vista pelo outros animais como uma aberração, muitos nem queriam mais falar com a pobrezinha e o pior, ela estava sendo considerada uma vergonha para sua raça, exceto sua amiga Bolinha, que veio lhe fazer uma visita.
__ Oi Madona! Fiquei sabendo o que fizeram com você e vim lhe trazer a minha solidariedade.
__ Oi bolinha! Você que é feliz! Vive livre nas ruas sem nenhuma frescura, enquanto que eu, mais pareço uma palhaça, estou desesperada, tudo que faço é chorar, já não sei mais o que faço para chamar a atenção da minha dona. Agora, só me resta apelar para o seu bom senso.
Bolinha, sem muita animação na voz, pois também tinha lá os seus problemas e disse:
__ É, tenho sorte por ter nascido uma vira- lata, ninguém se importa muito comigo, não uso roupas, nem tenho orelhas furadas. Quando tinha donos, nem correntes eles me colocavam, sabiam que eu não ia fugir e ninguém ia querer me roubar.
__ Mas nada melhor como ter sua liberdade! Adoro a minha dona, mas ela sempre me tratou como se eu fosse uma de suas bonecas Barbie, de tudo fiz para agradá-la, brincava de casinha com ela, tomei muito chá com biscoito, ela me veste com as roupas mais espalhafatosas do mundo, me levava para passear nos parques, dentro de um carrinho de bonecas, porém dessa vez ela passou dos limites, tomei uma decisão, vou fugir de casa, você me ajuda, bolinha!
__ Claro! A hora é agora, aproveita que a menina está dormindo, vamos sair pelos fundos, perto daqui tem uma poça de lama, é bom você se livrar logo dessa cor.
E assim Madona fez, entrou na lagoa rolando na lama, de rosa Pink ficou preta de lama até os olhos. Bolinha ria muito, enquanto Madona se esfregava na lama tentando se livrar da tinta rosa.
__ Se a tua dona te visse agora, ela ia ter um ataque! Diz Bolinha, achando graça da cara de Madona.
__ refiro ficar coberta com essa lama pra sempre, do que ser apontada na rua como uma aberração. ”Há, que gracinha  parece um cachorrinho de pelúcia.” Bam! Eu odeio a minha vida! Reclama Madona, chorando.
__ Calma Madona! Não é só você que tem problemas, meus donos mudaram de cidade e me abandonaram nas ruas, moro aqui nesse beco, vivo da caridade dos outros pra comer, durmo nas calçadas, não tenho quem se preocupe comigo, mas se você quer aventura, vem comigo!
__ Bolinha, não estou reclamando da minha dona e sim da falta de respeito que sou tratada, sou um animal, não sou um brinquedo. Tenho sentimentos, me envergonho de ser exposta, como se eu fosse um objeto de adorno.
Enquanto isso, Mariana estava aos berros revirando a casa inteira, a procura de Madona.
Plínio, o seu irmão caçula veio em seu socorro.
__ O que foi Mary, por que toda essa gritaria?
__ Você viu a Madona? Ela sumiu!
__ Eu não! A coitada deve estar em algum canto escondida, de tanta vergonha.
__ Não sei porque!!!
__ Mary, passa pela tua cabeça que a Madona é um animal? Você já viu cachorro rosa? A pobrezinha da Madona deve ter perdido a identidade, não sabe nem mais que raça ela pertence, no mínimo, deve ter fugido de casa.
__ Você acha que ela fugiu, de vergonha? Não acredito! Coitada da Madona, sozinha, perdida por esse mundo! Plínio, pelo amor de Deus, me ajuda a encontrar a minha cachorrinha, ela nunca fez isso, fugir de mim! Eu amo a minha cadelinha, se colori a pele dela, foi porque achei que isso fosse o melhor para ela, apenas queria que ela fosse feliz!
__ Então Mary, se você ama mesmo a Madona, só precisa aceitá-la do jeito que ela está, careca, sem nenhum pelo  acho que a sua cachorra prefere isso, do que ser  um animal alegórico, você desrespeitou o seu sentimento, por isso ela fugiu, foi a maneira que  achou para mostrar que não era feliz aqui.
Mariana se joga na cama, chorando desesperada.
__ Há, eu quero a minha cachorrinha de volta, eu amo a Madona mesmo do jeito que ela está. Tudo que fiz foi pensando no seu bem estar, não queria magoá-la!
__ Calma maninha, que eu vou te ajudar! Aqui perto tem um beco, que quando os cachorros fogem ou são abandonados, são lá que eles encontram refúgio, pelo menos de fome eles não morrem, porque o senhor Zezinho, o dono da lanchonete faz questão de cuidar dos bichinhos, mas eu acho que você precisa estar preparada pra tudo. E se caso a Madona estiver muito magoada com você e não quiser voltar mais pra casa, já pensou nisso, maninha?
__ Há, nem fala isso Plínio, seria muito castigo, nunca me perdoaria se a Madona preferisse morar nas ruas, que voltar pra mim.
__ Isso é o que veremos Mary, enquanto isso vai rezando para que a Madona esteja bem!
Plínio foi até o beco, procurou por todo canto e nada de encontrar a poodle, já estava indo embora desanimado quando uma cachorrinha preta lhe chama atenção em meio de outros cães, Plínio se aproxima e reconhece a coleira, nela estava escrito Madona.
O menino feliz grita abrindo os braços.
__ Madona, Madona, vem comigo garota!
A cachorrinha corre na direção de Plínio balançando a calda, feliz.
__ Madona, você é mesmo esperta, deu logo um jeito de se livrar da tinta rosa que cobria a sua pele, você fez muito bem, boa garota! A Mary que não vai gostar nada de te ver suja desse jeito. Completa Plínio dando uma gostosa gargalhada.
A cadelinha parece ter entendido e triste se afasta do menino.
__ Não se preocupe Madona, a Mary está super arrependida de ter colorido a sua pele. Deixei ela chorando lá em casa, morrendo de saudades de você e também prometeu que se você voltar pra casa nunca mais vai te constranger, e mais, que quando você voltar pra casa vai te tratar como um animal de estimação muito amado, que você é não um objeto de adorno.
Bolinha se aproxima curiosa:
__ E então Madona, você vai voltar pra casa?
__ Sabe de uma coisa Bolinha, resolvi perdoar a Mary, eu também estou morrendo de saudades daquela menina danada, eles são a minha família que eu aprendi a amar.
Madona pula nos braços de Plínio abanando a calda, lambendo o rosto do garoto, feliz com o convite de voltar para casa.

Quando enfim Plínio chegou em casa com Madona toda suja de lama, Mariana levou um susto, mal dava para reconhecer a cadelinha, embaixo de toda aquela sujeira.
__ Calma mana, lembra o que você prometeu?
Madona a olhava de olhos tristes esperando uma bronca, quando é surpreendida por um forte abraço de Mary.
__ Que bom que você voltou, vamos já tirar essa lama, passei no Pet Shop e comprei um antídoto para retirar essa tinta rosa da sua pele. Poodle rosa, nunca mais. Quero apenas a minha Madona.
Plínio disse, sorrindo:
__ Como ela mesmo mostrou, se era para tingir, que fosse de preto, pensa que os animais não têm gosto? KKKKKKKKKK.
Papai e mamãe disseram ao mesmo tempo.
__ Não dá ideia!!! KKKKKKKKKKKKK.
E assim Mariana aprendeu uma lição.
Não é porque os animais não falam, não podem se defender, que não tem os seus sentimentos.
Precisamos respeitar os seus limites fazendo- os se sentirem amados, do jeito que são!

Dilma Lourenço Moreira

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