sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O soldadinho de chumbo





Cacá ganhou do seu pai um soldadinho de chumbo. O menino adorou o presente, gostava tanto que levava o brinquedo para todo lugar que ia. No bolso do calção, na mochila do colégio e na hora de dormir colocava-o bem pertinho dele na mesinha de cabeceira. Sentia-se seguro, como se o soldadinho de chumbo ali parado ao seu lado o protegesse, o soldado de brinquedo passou a ser o seu amuleto.

O tempo foi passando e Cacá foi crescendo tornando-se também um soldado da aeronáutica e ainda carregava o seu soldadinho de chumbo no bolso da farda. Cacá agora era um dos pilotos da base aérea, era um sonho de criança concretizado. Mesmo hoje com a patente de coronel ele não se separa do seu brinquedo. O coronel Cacá adorava o que fazia, quando estava pilotando, o sentimento de liberdade enchia seu peito de felicidade, porém, um certo dia o coronel Cacá sofreu um acidente com o seu avião, caindo na mata atlântica. O coronel ficou preso no meio das ferragens, estava muito machucado, mas antes de perder os sentidos viu que do meio da fumaça apareceu um soldado, esse o tirou do meio do destroço do avião e levou o coronel para um lugar seguro longe do avião, não demora muito uma grande explosão acontece formando um clarão no céu. O coronel Cacá ficou desacordado por algum tempo, quando voltou a si, o mesmo soldado que tinha salvado da morte estava ao seu lado cuidando dos seus ferimentos. Do avião pouco restou agora lembrava, estava surpreso por ter sobrevivido ao acidente, se não fosse aquele soldado ter o retirado a tempo de dentro da aeronave ele teria morrido. O coronel ficou muito agradecido ao soldado, por ter salvado a sua vida, apesar de sentir a cabeça zonza não conseguia tirar os olhos do rosto daquele rapaz de olhar meigo, algo nele lhe parecia muito familiar e em pensamentos se perguntava de onde aquele soldado teria saído, se ele estava sozinho no avião quando esse entrou em pane, estavam em meio à mata fechada. Quem seria aquele soldado?

O tenente Cacá estava sentindo muitas dores por todo o corpo. O soldado solícito se ocupa prestando-lhe os primeiro socorros, o coronel agradecido quer saber o nome do seu salvador.

__ Quem é você? Eu te conheço?

Só agora o coronel percebia, do rosto do soldado refletia um brilho diferente, esse olha para o coronel sorrindo.

__ Não me reconheces, amigo? Passamos a vida inteira juntos!

__ Então você é um dos meus amigos de infância?

O soldado apenas sorri, permanecendo em silêncio.

O coronel Cacá continua de olhos fixo no soldado, tentando lembrar-se de onde que o conhecia, esse sente muito frio e dores cruciais. Chovia muito, enquanto isso o soldado improvisava uma cabana para protegê-los da chuva e da noite que estava se aproximando, o soldado passou a noite toda cuidando dos ferimentos do coronel, que ardia em febre.

Na manhã seguinte quando o coronel acordou, o sol ia alto, o dia estava ensolarado. O soldado estava de costa fazendo sentinela na porta da cabana, Cacá ainda sentia dores, mas conseguiu se levantar, tinha curativos na testa, no braço e parte do corpo enfaixado protegendo as costelas, não demorou muito e  um helicóptero se aproxima sobrevoando a sua volta, era o socorro chegando, seus companheiros tinham passado a noite a sua procura, disseram ter ouvido e visto o clarão da explosão na floresta, mas só tinham conseguido localizar o destroço do avião agora .

Os soldados do resgate se aproximam, admirados.

__ Coronel Cacá, o senhor está bem? Foi mesmo uma sorte o senhor ter escapado vivo deste acidente!

__ Sim, foi muita sorte! Graças ao soldado que me retirou dos destroços do avião antes da explosão, me prestou os primeiros socorros, passou a noite cuidando dos meus ferimentos.

__ Então, onde está este herói? Queremos cumprimentá-lo por ter salvado o nosso coronel, com certeza ele será condecorado com uma medalha.

__ Ele estava aqui até agora pouco! Respondeu o coronel, olhando a sua volta procurando o soldado.

__ Não estou vendo ninguém por aqui, coronel!!! Às vezes, com a febre!!!

__ Não, não soldado, não foi delírio! Tinha sim um jovem aqui do meu lado cuidando de mim o tempo todo, agora a pouco ele estava de sentinela na porta da cabana. Admiro-me vocês não ter o visto quando aqui chegaram!

Os soldados se olham entre si, preocupados com a saúde mental do coronel e um deles decide.

__ Coronel, é melhor partirmos antes que a noite chegue.

__ Não! Vamos esperar mais um pouco, preciso agradecer ao soldado que me salvou!

__ Sinto muito coronel, temos que sair agora, senão corremos o risco de passar a noite, aqui na mata!

O coronel Cacá olha a sua volta intrigado, com o olhar atento, esperançoso em encontrar o homem que tinha o retirado das ferragens. Tinha certeza que não estava delirando, um soldado o tinha salvado da morte e agora tinha desaparecido. Quem seria aquele soldado?

Mesmo contra sua vontade os soldados o colocaram na maca carregando-o para dentro do avião, que tinha vindo para resgatá-lo.

Quando estavam a caminho do hospital um dos soldados entrega na mão do coronel algo de muito especial.

__ Coronel, encontrei esse soldadinho de chumbo próximo ao destroço do avião! Ele é seu?

O Coronel Cacá leva um susto, segurando o soldadinho de chumbo com carinho entre as mãos, olhando-o em seus olhos fica surpreso e admirado, só agora reconhecia o soldado que o tinha salvado do acidente na floresta, ele estava ali na sua frente em suas mãos, o soldado herói nada mais era que o seu soldadinho de chumbo. Lágrimas de gratidão escorrem no rosto do coronel, deixando a emoção agir sobre o seu ser, segurando firme em suas mãos o seu companheiro de infância, emocionado, diz segredando no ouvido do soldadinho de chumbo.

__ Obrigado amigo, por me proteger! Obrigado por estar do meu lado, quando eu mais precisei de você!




                       Dilma Lourenço Moreira 


Um comentário:

  1. Grande lição nos deixa esse conto. Valorizar as pequenas coisas. Elas podem se tornar em grandes realizações. O soldado de chumbo pode ser aqueles que muitas vezes não reconhecemos com alguém que pode nos ajudar, alguém aparentemente fraco, mas que nos surpreende ao estar presente nos momentos em que precisamos.

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