segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A sapa estressada





A sapa Jurema vai casar!!!

Essa notícia corre feito pólvora na mata. Todos estavam surpresos, deixando os animais do bosque em total alvoroço se perguntando: Quem será que vai casar com a sapa Jurema?

A bicharada estava bastante curiosa para saber, tudo isso por causa do péssimo gênio da sapa. Era briguenta, vivia de mau humor, ninguém podia discordar do que ela dizia que a confusão estava formada, só ela tinha razão, metida a saber de tudo, estava sempre muito estressada, dando a entender que estava a ponto de surtar a qualquer momento. Era muito difícil manter uma comunicação normal com a sapa Jurema devido ao seu constante descontrole. Com o seu bocão só falava gritando, por isso os animais da mata evitavam ficar em sua companhia, não por medo, mas se tornava cansativo estar com alguém que mais parecia uma bomba explosiva, por isso os animais estavam ansiosos pra saberem quem seria a vítima que iria se casar com a sapa mais estressada da mata.

Outro dia mesmo a sapa Jurema do nada armou a maior confusão, que deixaram todos a sua volta sem ação.

A noite estava muito fria, a lebre e o macaco sagüi juntaram gravetos e fizeram uma fogueira, logo apareceu o grilo e a cigarra fazendo uma cantoria, estavam todos em paz se divertindo, só foi a sapa chegar não demorou muito pra começar o barraco, tudo porque a lebre fez um comentário, que hoje estava mais frio que ontem, a sapa Jurema não concordou com a lebre e começou a discussão. Essa, de mãos na cintura, com ar de quem sabe tudo, disse:

__ Aonde! Ontem fez muito mais frio que hoje. A temperatura chegou a 3 graus abaixo de zero.

__ Pois não parece! Daqui a pouco vai começar a gear. Insistiu a lebre, no assunto, foi o que bastou para dar os cinco minutos de loucura na sapa.

Essa tornou a colocar as mãos na cintura, os olhos estufaram para fora, dando um berro na cara da lebre.

__ Eu já não te disse que a temperatura ontem estava mais baixa que hoje! Pensa! Parece que vocês não têm cérebros!

Todos ficaram assustados prendendo a respiração, do nada a sapa começou a discussão, a gritaria, o clima que estava tão tranqüilo com os animais se aquecendo em volta do fogo, de repente se formou um vendaval, a sapa nervosa deu um chute na fogueira espalhando brasa por todo lado acabando com a reunião dos animais. Por isso que todos estavam admirados, por a sapa Jurema ter arranjado alguém para casar.

Nisso, chega à abelha Cassilda trazendo novidades.

__ Gente, eu descobri quem é o noivo da sapa Jurema. Ele é conhecido como príncipe, dizem que até a pouco tempo ele era um homem que morava em um palácio cercado de luxo.

__ Há, há, há, há! O macaquinho Regis deu uma gostosa gargalhada. Vai me dizer que ele é o príncipe encantado que a bruxa enfeitiçou? 

__ É o que dizem por aí! Disse a abelhinha também incrédula.

Nisso, a sapa vem chegando ouvindo a conversa.

__ Isso, podem rir seus plebeus invejosos! Vou me casar com um príncipe, o mais lindo desse condado.

A formiga Aninha se aproxima, perguntando curiosa.

__ É verdade mesmo Jurema, que o seu noivo é um príncipe encantado?

__ Morram de inveja! Quando o meu sapo virar príncipe, eu também vou me transformar em uma linda princesa.

__ Há, há, há, há! O macaquinho não resiste, solta uma estrondosa gargalhada fazendo eco por toda a floresta, dizendo:

 __ Com esse bocão, só falta agora você dizer que vai se transformar na Angelina Jolie.

A sapa estressada, com dentes serrados, olhos esbugalhado fuzila o macaco com o olhar.

__ E desde quando a Angelina Jolie é princesa, seu burro! Eu sou a princesa Kate, nora da princesa Diana.

__ Há, há, há! Você é a princesa Kate, nora da princesa Diana? Que piada!

 O macaquinho Regis rolava de rir, no topo da árvore.

Nisso, diz a formiga Aninha, ironizando:

__ Há, entendi! O seu príncipe encantado é o príncipe Willian? Nossa, que honra ter a realeza britânica aqui em nossa floresta.

E continuou o macaquinho, no deboche.

__ E quando vamos ter o prazer de receber a elite britânica?

A sapa estressada respondeu aos berros, sem paciência.

__ Na hora do beijo! Como em todas as histórias de príncipes encantados, Bãam! Vocês são tão burros, que cansam a minha beleza. Amanhã, eu quero todos vocês no meu casamento. Encomendei o vestido mais lindo da revista, digno de uma princesa que eu sou.

Mas a formiga Aninha continuava curiosa.

__ Então Jurema! Como você descobriu esse príncipe?

Voltou-se a sapa Jurema pra Aninha, agora toda melosa.

__ Há, o príncipe vem me paquerando há algum tempo sempre querendo que eu o beijasse, dizendo que o meu beijo ia o transformar em um príncipe de verdade, eu que não sou boba, nem nada, disse que só o beijaria casando.

__ E por que você acha que também vai se transformar em princesa? A história que conheço é que o príncipe foi enfeitiçado pela bruxa que o transformou em sapo e para quebrar o encanto ele tem que ser beijado por uma princesa de verdade. Se você não é princesa, como é que o seu beijo vai transformá-lo em príncipe, tem alguma coisa errada.

A sapa Jurema deu um pulo, caindo em cima da formiga, apertando seu frágil corpo de encontro ao solo.

__ O que pode ter de errado em querer ser princesa. Você que é uma formiga de pouca fé, está querendo jogar areia no meu casamento. Sabe de uma coisa Aninha, você está desconvidada, não me aparece na minha festa de casamento.

A sapa saiu furiosa, deixando a formiga sem graça, zonza com o peso da sapa em cima do seu peito.

Enfim, chegou o dia do casamento. A calda do vestido da sapa Jurema cobria toda a margem do lago, o sapo que se dizia príncipe estava todo elegante em um terno e cartola branca e na lapela um lenço dourado. A cerimônia começou e todos emocionados esperavam o momento do beijo, porém, na hora do beijo nada aconteceu, a sapa Jurema deu um segundo beijo no sapo de cartola e de novo nada aconteceu. Jurema pegando o sapo pelo colarinho, soltando bafo quente em sua cara, aos berros perguntou:

__ Como é? Você não vai virar príncipe?

O suposto príncipe, muito sem graça perguntou:

__ E você por acaso é alguma princesa?

__ Mas você disse que era um príncipe!

__ Sim, sou o príncipe da lagoa, não o príncipe de contos de fadas.

__ Mas quando você me pedia um beijo, prometia me transformar em princesa.

__ Sim! Princesa da lagoa, que princesa você achava que ia ser?

Nesse momento, as gargalhadas dos animais cobriam a floresta estrondosamente.

A sapa Jurema, de tanto ódio foi mudando de cor. Ficou roxa, verde, amarela, seus olhos vermelhos foram se esbugalhando cada vez mais, de repente ela abriu a boca e foi estufando, estufando e uma grande explosão se ouviu, jogando o príncipe e convidados a quilômetros de distância, depois disso nunca mais ninguém viu a sapa Jurema.

Alguns animais contam que em noites enluaradas ela aparece no lago com uma coroa na cabeça, esperando ser beijada por um príncipe.   


                                       Dilma Lourenço Moreira


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