sexta-feira, 27 de maio de 2011

O peixe e o pescador




O senhor Joaquim acordou bem cedo. Mal o sol tinha nascido passou no bar do Manolo, tomou um cafezinho e seguiu viagem em direção do lago.

__ Boa pescaria, seu Joaquim!

__ Obrigado, seu Manolo!

Chegando ao píer, ele entra em seu barco e sai remando até o meio do lago, prepara a isca na vara de pescar e joga a linha, confiante que logo um peixão vai morder sua isca.

E agora era só esperar.

Lá pela metade do dia o senhor Joaquim estava cochilando, quando sente uma tímida balançadinha na linha. Ele se anima, fica de pé no barco e dá um puxão na vara, sorrindo recolhe o anzol, feliz, pensando que tinha fisgado um peixão, quando vê, é um peixinho tão pequenininho, que fica decepcionado.

__ Tanto trabalho pra nada! É até uma vergonha, levar pra casa esse peixe!

Quando ouve o peixe dizer:

__ Também não precisa humilhar!

Seu Joaquim fica abismado.

__ Uai! Peixe fala?

__ Qual a surpresa! O senhor também não está falando? E já que eu sou tão pequeno, porque o senhor então, não me joga de volta pra lagoa!

__ Ora, porque é melhor um peixinho pequeno, do que nenhum!

__ Mas eu sou tão magrinho, veja! Não tenho carne nenhuma pro senhor comer e além do mais, a minha mãe disse que era pra eu voltar cedo pra casa!

O Seu Joaquim estava ficando furioso.

__ Olha aqui, peixinho? A pescaria já não está boa, ainda vou ter que agüentar você choramingando no meu ouvido?

__ É que eu estou com saudade da minha mãe! Posso ir embora? O senhor é um pescador consagrado, vai perder todo o respeito se os outros pescadores me virem entre os seus peixes!

__ Cala essa boca! Você está afastando os outros peixes, com essa choradeira!

__ Se o senhor me soltar, eu ajudo o senhor a pegar outros peixes bem maiores que eu!

__ Bem! Agora estamos falando a mesma língua! E qual a garantia que você me dá?

__ Eu sou um peixe de palavra! Sou ainda pequeno, mas tenho o meu valor! E o que o senhor tem a perder, o dia está quase terminando! O que prefere? Levar um peixinho pequeno pra casa e ser a piada dos outros pescadores, ou voltar para casa com o cesto cheio de peixes, aí sim, a sua moral diante dos pecadores irá ficar excelente!

__ Está certo! Olha lá, em peixinho! Eu estou confiando em você! Se estiver pensando em me passar a perna, vai se arrepender! Nem que eu tenha que passar a rede de ponta a ponta deste lago, eu vou te pegar e farei de você um delicioso sushi!

E mesmo desconfiado, o senhor Joaquim devolveu o peixinho pras água do lago.

O peixinho estava tomando fôlego, nem ele acreditava que estava vivo, quando ouve a mãe chamar:

__ Júnior, onde você estava, filho?

__ Oi mamãe! Que saudade de você, pensei que nunca mais ia te ver! Disse o peixinho, abraçando a sua mãe.

__ O que aconteceu, Júnior?

__ Mamãe! Estou fugindo de um pescador, tropecei em um anzol e ele me pegou, fiz um trato com ele. Se ele me soltasse, em troca levaria outros peixes bem maiores que eu, para cair no anzol dele! Mamãe, eu dei a minha palavra!

__ Júnior, você seria capaz de fazer isso com seus irmãos?

__ Claro que não, mamãe! Você sempre me ensinou que devemos ser leal com os nossos amigos, por outro lado você também sempre disse que um peixe tem que honrar com a sua palavra! E não quero que o pescador pense que eu sou um peixinho sem palavra!

__ Júnior, não é peixe que ele quer? Então ele vai ter peixe! Quero ver ele me arrastar pra dentro daquele barco, com aquela varinha que tem nas mãos!

__ Boa, mamãe! Posso ir junto?

E assim mamãe peixe fez, prendeu o anzol do seu Joaquim em uma pedra e deu um puxão na linha, o pescador se animou, ficando de pé no barco. Mamãe peixe era enorme e começou a pular perto do pescador, esse estava tão alucinado que pensou que o peixão estava em seu anzol e lutou com muita bravura tentando fisgar o peixão, porém dona peixe pulou tanto próximo do barco, que esse virou derrubando o pescador, quando ele caiu nas águas se enrolou na própria linha de sua vara e teria se afogado se mamãe peixe não tivesse o salvado. Dona peixe arrastou o pescador, na linha de pesca próxima as margens do lago, até que este tivesse areia debaixo dos seus pés. Júnior estava ali perto vibrando, assistindo a mãe entrar em ação, quando viu o pescador cair nas águas se debatendo todo enrolado com a linha de pescar em volta do pescoço se afogando, no entanto o peixinho não compreendeu a atitude da mãe.

__ Mãe, por que você não deixou o pescador morrer afogado? Ele passa o dia todo matando os peixes no lago!

__ Porque não se paga o mal com o mal! Não seria eu melhor que o matador de peixes, se deixasse ele todo enrolado na linha se afogar no fundo do lago. Além do mais, a minha intenção não era de matar ninguém, queria apenas dar uma lição no matador, para ele aprender da próxima vez mexer com peixes do tamanho dele!

Estava anoitecendo, quando seu Joaquim entra no bar do Manolo. Ainda assustado com a agonia da morte, passa a narrar com bastante entusiasmo a história de que tinha sido salvo de dentro das águas do lago por um peixe que era do seu tamanho.

As pessoas que estavam no bar ouvindo se divertiram muito, rindo do seu Joaquim.

O Manolo, dono do bar, disse:

__ Senhor Joaquim, já ouvi muitas histórias de pescador, mas essa sua, foi a melhor! Só falta o senhor dizer que o danado do peixão fez respiração boca a boca, no senhor!

O senhor Joaquim foi embora desacreditado, também, quem manda pescador ser tão exagerado.


Dilma Lourenço Moreira


2 comentários:

  1. Dilma,

    Histórias de pescador mentiroso já são conhecidas, não? rsrsrs
    Gostei dessa; valeu ter-nos trazido!
    Esses contos fabulosos costumam ser bem inteligentes!...

    Abração da Mary pra você! :)

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  2. Gostei da história,em que belo dilema se meteu este peixinho heim? me vez recordar da infância...

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