quinta-feira, 2 de junho de 2011

O desabafo do hipopótamo





A borboleta Raissa encontrou a amiga Drica hipopótamo, triste pelos cantos da floresta.

__ O que foi Drica, está com algum problema?

__ Você não está vendo amiga Raissa, tenho toneladas de problemas.

__ Cadê, onde está? Diz a borboleta, querendo fazer graça.

__ Você não está vendo, o problema está em mim. Estou muito gorda! Não paro de crescer para os lados, sou um animal monstruoso!

__ Amiga hipopótamo, acho que você está arranjando motivos para se torturar. Que eu saiba, eu nunca vi um animal do seu porte, magro, esquio, esbelto.

__ O problema está justamente aí, não sou sexy, bonita, sou um animal feio, grande e gordo. Nunca ninguém me disse que sou bonita! O meu sonho de criança era ser bailarina, mas com esse peso todo fica difícil, eu até tentei, porém foi um verdadeiro desastre quando subi no palco e comecei  a dançar, quem estava na platéia rolava de rir, todos diziam que eu ia derrubar o palco. Saí correndo de lá embaixo de vaias e nunca mais voltei a dançar. Até quando estou fazendo as minhas necessidades fisiológicas chamo atenção com o meu exagero, tem sempre alguém rindo, porque faço o maior estardalhaço, a poeira levanta, quem está por perto foge rindo, fazendo piadas. Raissa, eu queria ser assim como você, sempre discreta, leve, colorida e bela, você que deve ser feliz.

__ Realmente Drica, hoje eu sou muito feliz, mas você esqueceu que eu antes de ser borboleta eu fui uma lagarta feia, visguenta, que se locomovia se arrastando pelo chão?

__ É, mas a minha espécie não passa por essa transformação. Nasci hipopótamo e vou morrer hipopótamo, seria bom que com o tempo eu entrasse em um casulo e me transformasse em uma linda borboleta colorida, como você.

__ Amiga hipopótamo, transformação todo mundo passa, me refiro à transformação que acontece de dentro pra fora. No tempo que fui lagarta sofri muito e não pense que a minha transformação foi um toque de mágica, rastejei por muito tempo nesta floresta, mas não me revoltei reclamando, xingando, aceitei os desígnios de Deus e com o tempo fiz por merecer as minhas asas. O que eu quero dizer amiga, é que a transformação mais bonita acontece de dentro para fora e no seu caso Drica, primeiro precisa aprender a se aceitar do jeito que você é. Quando isso acontecer, você vai passar a se amar. E digo mais, quando a gente se ama, ganhamos forças para corrermos atrás dos nossos sonhos, até mesmo esse de bailarina, se isso realmente for importante pra você. Vai ver o mundo com outros olhos, porque a beleza mais importante é aquela que cultivamos por dentro.



    Dilma Lourenço Moreira


Um comentário:

  1. Infelizmente essa não é "uma realidade" só no mundo animal. Quantos de nós também já tivemos essa mesma conversa com alguém...

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