quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Onde está o espírito do vovô?





Dona Regina estava chorando na cozinha. Tinha ela, o coração ferido pela saudade, sentindo falta de seu amado esposo. Nisso, Paulinho entra correndo pela porta adentro pedindo água, quando percebe que a vó estava chorando, preocupado o neto abraça a vó, perguntando:

__ A senhora está chorando porque, vó? Está doente, sentindo alguma dor?

__ Sim Paulinho! Uma dor, que por hora não tem cura!

__ Aquenta aí, vó! Vou chamar a mamãe, pra te levar ao médico!

__ Não, meu querido! A minha dor não se cura com remédios, é dor de saudade dos que se foram!

__ Há, já sei! Está com saudades do vovô?

__ É, meu neto! É difícil de acreditar que ele não está mais aqui entre nós, isso me dá uma tristeza muito grande e às vezes tenho necessidade de extravasar essa dor.

__ A senhora está triste por que o dia de finados está se aproximando, não é vó? Eu também sinto muita falta do vovô! A senhora vai visitar ele amanhã, no cemitério? É lá que o vovô está morando agora, não é vó?

__ Não, Paulinho! Ninguém mora no cemitério, lá serve apenas para guardar os nossos restos mortais.

__ Como assim, vovó?

__ Quando nossos corpos ficam doentes, ou muito velhos, os nossos órgãos param de funcionar, acontecendo à falência dos órgãos, sendo assim, se constata a morte do corpo, no entanto, apenas o corpo morre, o espírito continua vivo, esse se livra das amarras do corpo e são encaminhados para recantos de energização a fim de repor suas forças, com essências angelicais.

__ Então, o espírito não vai pra baixo da terra junto com o nosso corpo? E nem queima junto com o corpo, quando esse é cremado?

__ Não, meu querido! O nosso espírito é eterno, ele nunca morre!

__ Sendo assim, onde está o espírito do vovô? È por isso que você chora tanto, porque não sabe para onde foi o espírito do vovô! É por isso, vó?

__ Calma, Paulinho! O espírito do seu avô está aqui bem próximo de nós, em dimensões diferentes, dessas que nós encontramos apenas invisível aos nossos olhos carnais. O corpo é apenas uma roupa que abriga o espírito, quando acontece a morte do corpo, o espírito é levado para outras paragens a fins de se recompor. Muitas vezes, esses necessitam passar por tratamentos, devido aos excessos cometidos aqui na escola da vida. Logo que esse espírito esteja refeito, dependendo de seu merecimento retornará em outro corpo, para continuar a cumprir com a sua missão!

__ Vovó! Eu estou confuso! Se não existe morte, por que então, dia dos finados? Por que as pessoas vão ao cemitério acender velas, levar flores, se os espíritos não estão lá?

__ Meu caro neto! As flores e as velas é uma forma carinhosa das pessoas prestarem uma homenagem aos restos mortais dos seus entes queridos, embora cientes que os corpos que um dia abrigaram os espíritos desses seres tão amados nem existem mais, a homenagem é feita em agradecimento por ter servido de abrigo a esses espíritos tão queridos, e nesse dia de homenagem aos corpos, muitos espíritos estão presentes atendendo aos chamados das mãezinhas queridas e dos filhos amados. O meu avô Joaquim, Pedrinho, era um daqueles católicos que lia a bíblia sagrada todos os dia e ele costumava dizer, que o dia de finados era o único dia que os espíritos iam ao cemitério, eles iam receber as homenagens de seus entes queridos, se misturando com os encarnados. Os espíritos eram tantos, que não dava para identificar, quem era morto, quem era vivo!

__ Vó! Outra coisa que não entendo, se o espírito do vovô não está morto e a senhora acredita que o espírito dele está vivo em outra dimensão diferente desta que vivemos, então por que a senhora vive triste, chorando pelos cantos?

__ Saudades, meu neto, saudades! É a chamada dor da ausência! Em meus sonhos estou sempre junto do seu avô! Quando estou acordada, muitas vezes sinto sua presença! Sei que em espírito ele está me visitando, sinto uma alegria muito grande abraçando minha alma, me sinto protegida e amada. Às vezes tenho até a impressão de vê-lo sorrindo sentado em sua poltrona, mas a saudade castiga o coração da gente. A dor da ausência é que nos faz sofrer, é pior ainda para uma mãe, quando enterra o corpo de um filho. Ali fica um pouco dela também, abraçada aos restos mortais do filho amado. Se você quer saber a extensão desse sofrimento, é a dor de uma ferida aberta, sem chances de ser cicatrizada nessa vida, mesmo sabendo que o espírito não morreu, mas a lembrança de ver o seu filho enterrado não sai de sua memória e esse sofrimento só chega ao fim, quando esta também desencarna e se encontra com seu filho amado, acolhendo esse em seus braços! 

__ Você quer dizer vó, que uma mãe quando enterra o corpo de um filho, sofre mais com a ausência desse, do que quando enterra o corpo do marido?

__ São amores diferentes, meu neto! Só que o afeto de uma mãe por seu filho é maior, ela se sente responsável por este, e a sensação de impotência nesse momento fatal a deixa deprimida, o único jeito é pedir forças para Deus, deixar a vida correr e aceitar os desígnios de nosso pai maior. O mais importante o que me consola, é que nem tudo está perdido, um dia os espíritos se reencontrarão na vida eterna e matarão a saudade, ficando juntos outra vez.

__ Puxa, vó! Que bom que essa separação não é para sempre, chego a sentir pena das pessoas que acreditam que perderam seus entes querido, diante da morte do corpo.

__ É verdade, meu neto! A imagem da perda diante da morte deve levar essas pessoas a um sofrimento maior, isso porque está faltando Deus no coração dessas pessoas de pouca fé, são chamados de São Tomé, que precisam ver, para crer. Se tudo que Deus criou é perfeito, como que alguém pode acreditar que Deus ia criar espírito descartáveis? Os espíritos foram criados iguais e sem conhecimentos e só através de varias vidas vamos adquirindo novos conhecimentos, uns mais, outros menos. É por isso que conhecemos homens sábios, outros menos, porque crescemos conforme vamos aprendendo e assim caminhamos em rumo da evolução. A convicção que os espíritos sobrevivem depois da morte do corpo, é que me dá esperança de seguir adiante, por saber que um dia vou me juntar outra vez as pessoas que eu amo. Essa certeza faz o meu coração transbordar de alegria, me dando ânimo para seguir adiante! 

__ Vó, e o corpo? Não foi Deus também quem criou? E se cada encarnação precisamos de um novo corpo, isso quer dizer, que ele é descartável?

__ Meu amor! Deus fez o miolo, a casca fica na incumbência dos anjos siderais qualificados nessa manipulação, ou se preferir, espíritos de luzes. O corpo também tem sua importância, pois ele é feito de essência divina, mas serve apenas para abrigar o espírito em evolução. Um dia, quando o homem acreditar que não perdeu o seu ente querido com a morte do corpo, o seu sofrimento vai ser menor, vai ser apenas de saudades, compreendendo que a ausência, é temporária!



         Dilma Lourenço Moreira

4 comentários:

  1. Muito bonito, sobretudo mostra como uma criança consegue ser perspicaz, e muitas vezes mais racional que um adulto...
    Um beijo

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  2. @ana costa
    Obrigada Ana, pelo comentário.
    Bjs. e volte sempre.

    Dilma

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  3. Olá! Quanto tempo! Vim te visitar. Faz tempo que não passa lá no Red Rose. Eu Tb ando meio relapsa com as minhas visitas. É muita correria. Rs.
    Bom, gostaria de te convidar para conhecer o meu novo trabalho.

    montessales.blogspot.com

    Espero que goste!

    Beijos

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  4. @Susy Ramone
    Ok Susy, obrigada pela visita, em breve passarei no Red Rose.
    Bjs. e volte sempre.


    Dilma

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