sábado, 22 de outubro de 2011

As palhaças do riso



Dona Francisca mora na beira do mar. Leva uma vida feliz. Ela, o sol, o mar e bolinha, a cadelinha. Era a sua única companheira, viviam sozinhas naquele recanto da natureza.
 
Dona Chica, era assim que era conhecida pelos amigos, todos os dias acordava bem cedo e de sua janela diante de um magnífico panorama assistia o sol nascer espalhando seus raios brilhantes, levando luz por onde passava.

Assim era também dona Chica, onde passava levava alegria, fraternidade e sempre uma palavra amiga era dirigida a quem ela encontrava. Logo após o sol nascer pegava o seu barquinho e lá ia ela e bolinha buscar no mar, o alimento do corpo. Na volta da pescaria, dona Chica e bolinha se banhavam e se preparavam para começar a tarefa do dia.

Não demorava muito e as duas saíam nas ruas, vestidas de palhaças a caminho do hospital infantil que ficava a poucos quarteirões dali. Crianças e adultos paravam para cumprimentá-las. A mulher e a cadelinha vestidas de palhaças dançavam em meio de centenas de bolinhas de sabão, colorindo o dia de quem passava. Assim que adentravam no hospital infantil, dona Chica e bolinha eram recebidas com uma grande recepção. Lá, elas eram conhecidas como as palhaças do riso.

 As crianças iam surgindo e a alegria tomava corpo, se espalhando por todo hospital. Não tinha mais choros, nem dores, eram apenas as palhaças dos risos que chegavam, trazendo amor, distribuindo sorrisos. Até mesmo as crianças em estado mais graves, nessa hora tinham uma melhora, contagiadas com a alegria trazida pelas duas palhaças do riso.

As gargalhadas se espalhavam pelos corredores do hospital, invadindo alas, quartos, espalhando saúde e iluminando os corações de todos aqueles meninos e meninas, que já não tinham mais caras de doentes. Com os olhinhos brilhantes, transbordando de alegria, rindo sem parar das piruetas e brincadeiras de dona Chica e bolinha, que agora eram simplesmente as palhaças do riso.
Com suas roupas coloridas, caras e engraçadas, arrancando gargalhadas constantes, cantando, fazendo brincadeiras animadas agitando a garotada, com pequenos gestos espalhavam sonhos e fantasias, devolvendo a esperança para aqueles pequenos seres de corpos debilitados castigados pela doença, mas as palhaças dos risos traziam o remédio, fazendo curar as feridas daquelas almas, com momentos mágicos e dulcificante, transformando risos em pílulas douradas, contendo efeitos de curas em seres debilitados e assim a animação continuava, com brincadeiras de rodas e cabras cegas. Dona Chica, com uma venda nos olhos tentava pegar bolinha, essa se escondia atrás das crianças e era aquela gritaria.

Na hora da cantoria, dona Chica tocava guitarra, bolinha dançava sobre duas patinhas tocando um tamborzinho, por último, era um quadro de mágica, dona Chica tirava de sua cartola balões coloridos, balas e pirulitos, adoçando a vida dos pequenos, arrancando risos de contentamentos diante dos confeitos que caiam feito chuva na cabeça das crianças. Médicos e enfermeiros eram suspensos nessas poucas horas que as palhaças dos risos tomavam conta das crianças, não havia emergências, remédios, comprimido, injeções. Soros, nem pensar, só se ouviam risos de crianças a se espalharem pelo ar, formando uma magia contagiante. Até o tempo parecia parar, querendo perpetuar os sorrisos das crianças.

No final do dia, dona Chica e bolinha voltaram para casa, com a alma radiante de alegria. Sobre elas, acompanham um manto de estrelas. Dona Chica olhando para o céu, sentindo ainda a felicidade transbordar em seu íntimo, lembrando dos rostinhos risonhos das crianças do hospital de câncer, elevando o pensamento a Deus e em prece agradece ao pai pela oportunidade de amenizar pelo menos um pouquinho o sofrimento daquelas pobres crianças.

Ao término das preces, ela esbarra com os olhos de bolinha a lhe sorrir. Dona Chica se comove diante do olhar meigo da cadelinha, era como se ela também estivesse acompanhando-a em preces. Com carinho, pega a cachorrinha em seu colo aninhando-a em seus braços, dizendo sorrindo:

__ Obrigada companheira, por me auxiliar nesse trabalho tão gratificante pra nós duas!

E assim, Dona Chica e bolinha, diante das bênçãos do pai maior se recolhem para o descanso merecido, com a certeza que ao raiar de um novo dia, sairão em busca de novos sorrisos.

                


                                    Dilma Lourenço Moreira

                       



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