domingo, 2 de dezembro de 2012

A princesa fantasma




O príncipe Ronald vivia em um castelo gigantesco, de modo que se perdia muito tempo para se locomover de uma ala a outra, sem contar que freqüentemente se perdiam a caminho do saguão principal devido a muitos corredores que tinha que atravessar, sendo assim o rei ordenou que estalassem por todo castelo trilhos com mine-carrinhos movidos a geradores para facilitar a vida dos moradores do castelo.
As crianças adoraram a novidade, ainda mais que andar pelos corredores era assustador, por diversas vezes viram vultos de uma criança do povo correndo pelo palácio, tinha noites que ela chorava até tarde, já tinha tempo que esse fantasma visitava a família real. A criadagem conta que em noites pardas esse fantasma percorria os corredores com uma vela acesa nas mãos, clamando por socorro.
Certo dia o sol mal tinha nascido e o príncipe Ronald pegou um dos carrinhos sem a companhia do seu criado, se dirigindo para a suíte de seus pais, quando o carrinho do nada pára no meio de um dos corredores, esse além de ser mal iluminado era amplo, muito comprido, a se perder de vista. O silêncio era geral, o príncipe começou a gritar chamando pelos guardas reais, até que um vulto passa bem próximo dele, o corredor de repente se encheu de vultos e o medo do príncipe Ronald cresceu.
__ Quem está aí?
__ Sou eu Majestade!
__ Eu Quem?

__ Me chamo Aline majestade, o senhor está perdido?
Nisso, o vulto vem se aproximando de mansinho fazendo os cabelos do príncipe se arrepiar de pavor.
__ Você é um fantasma?
__ Não senhor, sou de carne e osso, como já disse meu nome é Aline e esse aqui é o meu amigo Raí.
__ Céus, um rato e um fantasma! Esse castelo está mesmo abandonado, guardas, guardas, socorro!
O ratinho sente o medo do príncipe e se aproxima fazendo cara de bravo, a jovem vem logo atrás em seu socorro.
__ Não se assuste majestade, nós vamos lhe ajudar a encontrar o caminho.
O príncipe, apavorado sai correndo pelos corredores balançando, tocando a sineta feito um desesperado, na esperança que alguém ouvisse o seu pedido de socorro.
__ Socorro, socorro, estou sendo perseguido por um fantasma.
__ Fantasma? Aonde? Aonde?
Pergunta Raí, procurando a sua volta.
__ Ele está se referindo a mim, Raí.
__ KKKKKKK, Você é um fantasma Aline, KKKKKKK, olha a cara de medo príncipe, Bum!!! Bum!!!
Calma majestade! Nós não vamos lhe fazer mal, eu não sou fantasma. Veja, sou uma garota, estou viva!
__ Viva? E de onde você é? Nunca te vi por aqui! Argumenta o príncipe, desconfiado.
__ Tudo que sei é que tem fantasma nessa ala do castelo, os empregados contam que os fantasmas passeiam nos corredores tranquilamente na calada da noite, ouvem gemidos, móveis sendo arrastados, choros e às vezes risadas, dizem que é mais que um fantasma, uns dizem que ouvem choro de uma criança, outros que é uma mulher de cabelos compridos com uma vela na mão.
__ Eu não sou nenhum fantasma, majestade. A minha mãe era empregada nesse castelo, mas certo dia ela ficou muito doente e morreu me deixando só no mundo, então me escondi nessa ala isolada do castelo, fiquei com medo que me mandassem embora, aqui quase não vem ninguém, a não ser visitantes.
__ Há, agora estou lembrando-se de você, foi mesmo uma pena o que aconteceu com a sua mãe, na época ouvi dizer que tinham te levado para morar com a sua madrinha.
__ É, mas a madrinha nunca apareceu, desde então vivo aqui com meu amigo Raí. O príncipe solta um sorrisinho abafado.
__ Mas ele é um rato!
__ Sei disso, mas o Raí é o meu único amigo. Se o príncipe permitir, posso lhe ajudar a encontrar o caminho do saguão principal, conheço esses corredores como a palma da minha mão.
__ Bem, e eu serei eternamente grato, a propósito, minha mãe está precisando de uma criada para cuidar dos meus irmãos menores, você não pode continuar vivendo confinada nesses corredores, vem comigo.
Logo chegam ao salão principal onde o rei e a rainha estavam reunidos com a família real tomando o breakfast matinal.
Todos se assustaram com a entrada tempestiva do príncipe acompanhado de uma jovem estranha, aproveitando o impacto dos presentes esse risonho apresenta a jovem como a fantasminha do palácio.
O espanto é geral. Ouviu-se grito por todo o castelo.
   __ Um Fantasma!!!! Socorro!!! Um fantasma!!!
Calma! Calma pessoal é brincadeira!
Então o jovem explica para o rei e pra rainha da triste situação que a garota vivia, que a linda fantasminha que assombrava o castelo na verdade se tratava da filha de uma antiga empregada do castelo que foi acometida de uma doença muito grave, vindo a falecer mais tarde desse mal, essa deixou uma menina que na época era ainda quase um bebê, a mãe em seu leito de morte pediu que a criança fosse entregue a madrinha, no entanto essa nunca apareceu e a criança cresceu encerrada nos corredores do castelo, mais exatamente na ala dos visitantes todo esse tempo.
A rainha ficou penalizada com a situação da jovem e permitiu a pedido do príncipe que ela permanecesse no castelo, ajudando na educação dos príncipes menores.
Depois desse dia Aline se tornou quase parte da família real, cuidava dos irmãos caçulas do príncipe e em suas horas vagas passeava no bosque, na companhia do príncipe Ronald, os dois se tornaram inseparáveis, aliás, os três, porque o rato Raí estava sempre presente nos passeios, cavalgadas pelo bosque e principalmente nos piqueniques, até que um dia o príncipe não suportando guardar o imenso amor que escondia no peito, declara seu amor pela jovem desde o dia que a conheceu.
Aline, emocionada diz que com ela aconteceu o mesmo, mas que infelizmente aquele amor seria impossível, pois ela era apenas uma plebéia, uma das centenas criadas do palácio.
O príncipe ficou feliz de ser correspondido e disse emocionado:
 __ Não me importo, o nosso amor está acima dessas condições sociais, o rei e a rainha já estão cientes e eles aceitam que você se torne a minha princesa, se assim for do meu agrado.
O ratinho Raí também chorava em um canto, ele que testemunhou aquele nobre sentimento desde o início, estava feliz que os dois finalmente iam poder viver o amor que nutriam um pelo outro.
Aline não cabia em si de felicidade, há muito que fazia de tudo para sufocar esse sentimento glorioso que crescia a cada dia, chegando a sangrar no peito por não se achar merecedora de um príncipe, ela que cresceu escondida nos escombros do palácio na companhia dos ratos jamais ousaria confessar ao príncipe o que se passava em seu íntimo
__ Estou vivendo um sonho! Quem diria que eu um dia me tornaria uma princesa, eu que cresci como um fantasma, se esgueirando pelos corredores do palácio, um dia também viveria um amor de conto de fada.
O príncipe pegou a jovem em seus braços e os dois trocaram um longo beijo fazendo juras de amor.
__ Meu príncipe, você me tirou das trevas, me fez conhecer o amor, prometo ser sua para todo o sempre!
__ Aline, prometo de hoje em diante fazer da sua vida um sonho de amor eterno, minha princesa fantasminha!
A festa de casamento do príncipe Ronald e da princesa Aline durou três dias e três noites. Ainda hoje nos corredores do castelo se ouvem suspiros apaixonados.
Quem duvidar deste amor é porque ainda desconhece tal sentimento. Quem sabe algum um dia você ainda não encontrará também um amor de contos de fadas!

                                   

Dilma Lourenço Moreira

Um comentário:

  1. Que tocante, Dilma.
    Eu amo histórias de princesas e castelos...
    Gosto da forma como descreve os cenários...
    Sempre há uma bela mensagem no fim.
    Abraços

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